PRINCIPE, O

MAQUIAVEL, NICOLCAU
MARTINS FONTES

65,89

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Há quinhentos anos, O Príncipe serve como um tipo de espelho no qual a consciência ocidental não cessa de se refletir, projetando sobre as palavras de Maquiavel ânsias, obsessões, esperanças, medos. Política e moral, meios e fins, o partido como moderno príncipe, a emergência do Estado, a política como técnica, os fantasmas do totalitarismo... Como suposto fundador da modernidade política, Maquiavel entra obrigatoriamente em qualquer discurso filosófico sobre a vida em sociedade. No entanto, esse sucesso teve um preço considerável. Glosado, interpretado, adaptado e frequentemente também violentado, O Príncipe com muitíssima frequência acabou perdendo a própria fisionomia e assumindo a de seus admiradores ou detratores. Esta edição dos quinhentos anos nasce precisamente do desejo de favorecer uma nova intimidade com um grande clássico que é mais citado que lido, antes de tudo valendo-se de uma versão em italiano moderno oportunamente realizada por Carmine Donzelli. A tradução acompanha o andamento quebrado, as peculiaridades e – também podemos dizer – a beleza da prosa maquiaveliana, mas ao mesmo tempo remove os inevitáveis obstáculos linguísticos e permite a abordagem do texto sem as costumeiras dificuldades da primeira leitura. À tradução de Donzelli soma-se um vasto comentário e uma introdução igualmente rica de Gabriele Pedullà. Além de uma nova identificação sistemática dos autores clássicos e sobretudo humanísticos utilizados no Príncipe (com dezenas de descobertas que mudam, frequentemente de maneira decisiva, a interpretação), a anotação de Pedullà concede amplo espaço às práticas sociais e às crenças difundidas, indispensáveis para compreender o discurso maquiaveliano: a jurisprudência e a medicina, a teoria dos humores e a astrologia, o sistema do mecenatismo, as convenções dos gêneros literários, o princípio da imitação, as técnicas bélicas, a origem renascentista da dívida pública, as ânsias de renovação religiosa... O trabalho de Donzelli e Pedullà apresenta-se, portanto, como um exercício original de filologia política, que liberta o texto do Príncipe das incrustações depositadas sobre ele no curso de meio milênio, com o objetivo de oferecer aos leitores ao mesmo tempo um clássico apartado das hipotecas ideológicas dos últimos duzentos anos e uma obra “fresca”, para ser lida sem os preconceitos que inevitavelmente acompanham o nome de Maquiavel: para que sobre O Príncipe possam projetar-se as paixões do século XXI, e não – como ainda hoje acontece com demasiada frequência – as dos séculos XIX, XX ou XXI.