A CRIANÇA DIFÍCIL

Berge, André
CEDET

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O hábito condenável de certos educadores relembrarem, a propósito do mínimo deslize, todas as faltas passadas, só contribuirá para formar a personalidade do culpado de acordo com o modelo que se teve a imprudência de arquitetar e colocar diante dele.  Entretanto, o meu propósito não é fornecer aqui receitas, em que sou o primeiro a não acreditar. Uma coisa, porém, é dar receitas e outra mostrar obstáculos!  Cabe a cada um navegar, em seguida, com os meios de que dispõe, levando em conta, na medida do possível, o conhecimento dos mares por onde transita.  Naturalmente, na hora da tempestade o melhor dos timoneiros nem sempre consegue evitar mesmo os obstáculos indicados no mapa. Mas, nem por isso, deve achar que só lhe resta soçobrar; ao contrário, deve usar de todos os recursos para fechar os buracos por onde esteja entrando a água e assim desencalhar o navio.  As crianças difíceis devem ser consideradas sobretudo “criançasproblema”; para resolver os problemas que elas apresentam, é preciso, em geral, certa dose de reflexão, observação e imaginação. Não se deve recorrer a atitudes pedagógicas ou pseudopedagógicas convencionais, nem se fiar em seus próprios automatismos; pois, ao que parece, é, ao contrário, livrando-se de seus automatismos costumeiros, que pais e educadores, com certa surpresa, alcançarão freqüentemente os resultados mais satisfatórios. Ir de encontro à maré exige coragem e domínio não apenas de seu consciente como de seu  inconsciente. E, no entanto, é assim que se têm as melhores oportunidades de criar clima educativo mais favorável. Desta forma, pode-se esperar não somente a correção de algumas perturbações caracterológicas, mas ainda aprender a evitar a produção de crianças difíceis... mais do que convém.