Ranho e sanha

Gontijo, Guilherme
CIRCULO DE POEMAS

44,90

Estoque: 17

Aprendemos com um dos nossos maiores cantores: quem traz a vida na voz é capaz de fazer crescer uma flor sem limite. Em Ranho e sanha, o poeta e tradutor Guilherme Gontijo Flores parece partir desses versos de Caetano Veloso e perseguir, no tempo e n o espaço, no ouvido e na imaginação, essa flor sem limite, esse fio infinito de cantos que se desdobram e nos envolvem desde que o primeiro de nós decidiu cantar — ou melhor, percebeu que sua voz era um canto e que, sem isso, não seríamos “nós”. Os p oemas exaltam e se inserem nesse coro formado por todos os cantores e cantoras que nos permitem viver outras vidas. Aqui, a voz do poeta se entretece às melodias — conhecidas e desconhecidas, implícitas e explícitas — de Enheduana a Safo, de Clementi na a Belchior e Cartola, do Nirvana a seus parceiros do grupo Pecora Loca, dedicado a traduzir e performar poesia antiga, e, com uma declaração de amor às vozes que cantam — e ao que as vozes cantam —, nos faz lembrar das mais remotas origens desse c antar que é o poema. Aliás, não é por acaso que esses poemas foram escritos por um poeta que é também um dos mais prolíficos e talentosos tradutores da atualidade: o que é um tradutor senão alguém que consegue ouvir o canto de outras línguas e o faz cantar na nossa? Enfim, se é verdade, como cantou o poeta baiano, que voz e vida não se separam, podemos dizer que Gontijo Flores faz versos para que nossos ouvidos se abram para toda a vida que canta ao nosso redor e dentro de nós. E mais ainda: par a que soltemos a voz.