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O escravo que adorava caviar
Reed, Ishmael
EDITORA ERCOLANO
82,70
Sob encomenda 7 dias
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Andy Warhol ajudou a transformar Jean-Michel Basquiat em um dos maiores artistas de sua geração, ou foi Basquiat quem injetou sangue novo na carreira de Warhol? A quem interessa que a história dos dois seja contada de um modo, e não de outro?
É desse território de suspeita que Ishmael Reed parte em O escravo que adorava caviar, peça de teatro publicada nos Estados Unidos em 2023 e lançada agora no Brasil pela Ercolano, com tradução de Rafael Mantovani e posfácio do curador e pesquisador Le andro Muniz.
A trama começa como uma investigação. Duas peritas forenses examinam a parceria entre Basquiat e Warhol, e levantam hipóteses sobre as formas de exploração, materiais e simbólicas, que poderiam ter acontecido nesta relação. Ao mesmo temp o, uma história de filme B toma o palco: o Barão De Whit, filho do conde Drácula, precisa de sangue novo para alimentar a si mesmo e as suas criações. A coincidência não é inocente. Reed faz do vampirismo uma imagem grotesca do mercado da arte, sempr e à procura de novidade, juventude e talento dos quais possa se alimentar.
Documentos, rumores e invenção convivem numa dramaturgia satírica, de estética deliberadamente kitsch, em que o humor e o absurdo desnaturalizam o que parecia estabelecido. Há um julgamento em curso, mas não há juiz.
Ao questionar a fabricação da própria história da arte, Reed provoca uma discussão que continua atual. O que acontece quando um artista negro deixa de ser apenas artista e se torna, ao mesmo tempo, mito, merc adoria e marca?
“GRACE
(Lê da prancheta.)
A relação entre Andy Warhol e Basquiat parecia mais a relação entre um primatólogo e uma criatura do que entre dois pintores.”
O escravo que adorava caviar , p. 54
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