DIRETRIZES PARA UMA POLÍTICA ECONÔMICA BRASILEIRA

PRADO, JÚNIOR
BOITEMPO

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Preparado como monografia para o concurso à cadeira de Economia Política da Faculdade de Direito da USP em 1954, Diretrizes para uma política econômica brasileira, de Caio Prado Júnior, nunca foi publicado comercialmente – teve apenas algumas cópias distribuídas à época. Na obra, o autor discute o processo histórico brasileiro, a questão do mercado interno e externo, o “marginalismo” de algumas regiões do país, os ciclos econômicos, o papel do capital estrangeiro, a indústria, o imperialismo e a questão agrária. Caio Prado Júnior defende “larga reorganização e redistribuição dos elementos estruturais do país” e apresenta uma compreensão das contradições existentes no território nacional com o objetivo de assegurar uma democratização rea l não restrita às esferas jurídicas e políticas. “Devemos notar muito bem o dualismo que observamos na economia brasileira, a saber, de um lado, o sistema colonial que nele prevalece; de outro e esboçando-se no interior daquele sistema, novas for mas econômicas que apontam na direção de um desenvolvimento diferente daquele que sempre tivemos no passado. Essa distinção é essencial para se ter um panorama adequado da economia brasileira e para nele se orientar, pois de outro modo resulta a ilus ão, tão frequente na observação e interpretação de nossa economia, que podemos passar como que automática e espontaneamente de uma para outra linha de desenvolvimento”, escreve o autor. Trecho “De um modo geral, o funcionamento do sistema colo nial no con­junto econômico integrado pelo capital financeiro do imperialismo acentua ainda mais a posição vantajosa dos países centrais em confronto com as economias que lhes são complementares. Sem contar a insinuação do capital financeiro em todas as atividades lucrativas das co­lônias, auferindo com isso indiretamente através de empréstimos, financiamentos, participação financeira, especulação comercial e cam­bial etc. a maior parcela de proveitos de tais atividades, sem a contra­partida em geral de riscos, o sistema colonial, tal como opera atualmente, importa numa deterioração permanente das relações de troca em pre­juízo das colônias; isto é, os preços relativos da produção primária e das manufaturas de cuja troca se constituem em úl tima análise as rela­ções comerciais entre países coloniais e industriais, se tornam cada vez mais desfavoráveis para a produção primária.”