Animais de Sonho

Ianelli, Mariana
ILUMINURAS

65,00

Sob encomenda
11 dias


O México não parece existir sobre a terra, mas em um sonho. Suas paisagens, suas pirâmides, seus desertos e mares são matéria viva, mas também visões, assombrações, sopros antigos de civilizações que não cessaram de pulsar. Nessa terra, o tempo não s e divide entre o passado e o presente: ele se dobra sobre si mesmo, como uma serpente emplumada, torna visível o invisível. Os poemas de Mariana Ianelli não apenas traduzem esse encantamento, mas o fazem se irradiar em nós, seus leitores. A morte dei xa de ser ausência para tornar-se presença, interlocutora constante. As cores são vibrações, oferendas visuais que ligam o que morre ao que revive, o que se perde ao que se transforma... Entre essas visões, ressaltam os alebrijes — criaturas híbridas , coloridas, animais de transfiguração, fusões improváveis de asas, chifres, caudas e escamas. (...) Cada poema, como um alebrije, é um corpo inventado que tenta dar forma ao que não tem forma: a emoção, o assombro, o desejo. O leitor que abrir estas páginas adentra um espaço ritual, uma constelação de imagens entre o sagrado e o cotidiano, o humano e o mítico. A poesia de Mariana Ianelli é um rito de passagem. As palavras se tornam oferendas: pétalas no altar, papel picado tremulando ao vento, caveiras que sorriem enquanto anunciam que nada, absolutamente nada, morre por completo. Escrever sobre o México é se permitir essa ambiguidade, acolher o esplendor que convive com a ferida. A poesia, nesse contexto, fala com os mortos sem deixá-los morrer, e fala com os vivos sem deixá-los esquecerem. Cada verso é um gesto de oferenda — uma vela acesa no Dia dos Mortos, uma flor deixada no altar do tempo. Que o leitor se permita essa travessia. Que aceite o convite para vislumbrar essa terra on de os deuses respiram, e a arte é a guardiã do invisível. Que veja, nos alebrijes em chamas e nos versos que dançam, o reflexo de algo que também o habita: a necessidade de sonhar o mundo para compreendê-lo.   Guiomar de Grammont [Fragmentos do posfácio]