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Teatralidades Dissidentes
Sílvia Fernandes
PERSPECTIVA
84,90
Sob encomenda 11 dias
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O olhar de Silvia Fernandes sobre o teatro contemporâneo brasileiro caracteriza-se por uma análise crítica e sensível às transformações que atravessam as práticas cênicas atuais. Ela parte do reconhecimento de que o teatro atual tem por marca uma int ensa pluralidade e hibridismo, recusando categorizações rígidas e fronteiras estáveis entre linguagens artísticas. Para a autora, o teatro de hoje é um campo em constante reinvenção, onde artistas, encenadores e dramaturgos buscam expandir os limites do que pode ser considerado teatral, dialogando com outras artes, com o real e com a história.
Tomando como exemplos alguns dos principais espetáculos levados à cena a partir dos anos 1990 (Os Sertões – Teatro Oficina, O Paraíso Perdido – Teatro da Vertigem, BR-3 – Teatro da Vertigem, Corte Seco – Christiane Jatahy, A Vida é Cheia de Som e Fúria – Antunes Filho (CPT), Por Elise – Cia Marginal, Hospital da Gente – Clariô, O Povo do Cafundó – Cia São Jorge de Variedades, Auto dos 99 – Ói Nóis Aqu i Traveiz), Silvia Fernandes destaca que o desejo de real, presente nas pesquisas teatrais contemporâneas, não se limita à experimentação formal, mas revela uma abertura ao outro, ao mundo e às questões sociais e políticas. Essa abertura se manifesta tanto na escolha de temas quanto na adoção de processos colaborativos e coletivos, especialmente no teatro de grupo, que ressurge com força a partir dos anos 1990. Nesses coletivos, a criação se dá de modo compartilhado, atualizando práticas dos ano s 1970, mas com novas preocupações e estratégias, muitas vezes voltadas para o engajamento social e a reflexão crítica sobre o próprio fazer teatral, daí a dissidência tanto estética como política.
Outro aspecto central da abordagem adotada por Teatr alidades Dissidentes é a valorização do processo criativo em detrimento do produto acabado. Ela observa que muitos espetáculos contemporâneos assumem a precariedade, o inacabamento e a imperfeição como parte constitutiva da experiência teatral, propo ndo ao espectador uma vivência compartilhada e aberta, em oposição à lógica do espetáculo comercial. Sílvia Fernandes também enfatiza a diluição das fronteiras entre dramaturgia, roteiro, prosa e reportagem, apontando para uma dramaturgia expandida, que se alimenta de múltiplas fontes e desafia a especificidade do texto teatral tradicional.
Recorrendo a conceitos como teatralidade e performatividade para analisar a produção heterogênea do teatro de hoje, a autora destaca que essas categorias teó
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